terça-feira, 27 de outubro de 2009

Con(verso) Mudo


Para o amor da minha vida


Con(versar) olhando você é sempre poesia,
Em seu globo ocular vejo meu mundo,
Nas suas lágrimas mergulho no oceano profundo,
que é a minha alma expressa no brilho da íris,
Não deixe suas pálpebras pousarem
do vôo livre de me reencontrar,
Seus cílios sem máscara encobrem
a imagem do meu espelho,
reflexo irreal do real,
verdade romântica que me permite amar.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Dúvida

O Terapeuta, de René Magritte. Leia a interpretação aqui.




Não sou ateia,
sou agnóstica.
Não sou cientista,
que busca uma resposta pra tudo,
sou poeta,
que acolhe o incerto.


Não se tem como
dar respostas para eternas dúvidas,
às vezes, buscar a verdade é mentir.
Mas, não se engane,
ter incertezas não é estar confuso,
perdido, equivocado.


Não desconfio da dúvida,
Ela é minha maior certeza,
minha maior beleza,
o que me faz mudar,
não ser sempre a mesma,

ser mais eu própria.

O ambíguo,
não tem um único sentido,

tem várias possibilidades.
Viver com dúvida é

viver mais livre,
sem limites da certeza.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Distr(ação)

Não sei onde estou,
Enxergo apenas o piscar dos olhos,
Meu ouvido escuta silêncio
no Centro de Porto Alegre,
Há uma certeza:
o resto é uma imagem holográfica,
os carros não atropelam,
as buzinas não existem.
Sua mão segura meu ombro
para o real não me tornar irreal.
Mas, no meio do caos,
consigo pensar com calma
que há perfume de chocolate nos cabelos,
Minha distr(ação) atenta para os detalhes.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Começo

O presente já virou passado,
o apego a fotos e lembranças
não deixa saudade
tudo é eterno começo,
primeiros passos,
primeiros poemas,
primeiros amores.
O sofrimento do fim,
deixa de existir,
pois, depois do começo,
só há re(começo),
o novo, o princípio
o que ainda é vida,
o que deve me ocupar.
Remoer é morrer vivendo.

domingo, 1 de março de 2009

Sensibilidade

Foto de Germano Schuur.


O sensível,
é um músico talentoso,

escuta um leve suspiro,

aprecia o som da batida do coração.

O indiferente,

é surdo,

precisa de sons muito claros,
para distingui-los, aprecia-los.


Com indiferentes,
se fala aos gritos,

a beleza do suave se perde,
a fala se torna restrita.

Cansaço, desgaste,
a graça da palavra emudece.
É fácil enxergar o preto no branco,
difícil é ver os detalhes do por-do-sol.

Amo sentir,

Amo a sabedoria
de quem usa a sensibilidade.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Sonho

Pintura de Salvador Dali.




Eu voo sem bater asas,

Caminho sem tocar os pés no chão,

Olho as paisagens com as pálpebras cerradas,

Toco piano sem mexer a mão.


Eu me desequilibro sem mover meu corpo,

Faço tudo sem fazer nada,

Encho um balão com um só sopro,

faço um poema sem escrever palavras.


Agora, o tempo obedece

meu relógio atemporal,

os segundos seguem a minha alma,

o fantástico, o surreal.


Eu sonho com liberdade,

dormindo em uma gaiola prateada,

desejo roubar um beijo

mas já estou presa apesar de não fazer nada.


Meu sonho inesperado,

logo perde o significado,

vivo minhas surpresas,

para que a vida tenha beleza.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Surpresa

As surpresas incansavelmente se repetem,
novos imprevistos surgem antes de serem cogitados,
só há atos impensados,
não há descanso entre o presente e o futuro,
os sobressaltos me assaltam no escuro.

Tenho calma
porque não há cronologia na alma,
tudo é um começo,
não espero, não planejo.
Se pre(ocupar) com o impensável
é se iludir.