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terça-feira, 20 de julho de 2010

Felicidade


Arte de Audrey Kawasaki


Tentamos viver os outros
para nos esquecermos
Não lembrar a tristeza
Jamais será a felicidade

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Meu Presente é Desistir


Arte de Eliana Guedes Mussnich
 

Desisti de tudo para
não desistir de mim

Desisti de ler para
não desistir de escrever
Desisti do fracasso para
não desistir da vitória

Desisti do espaço para
não desistir do tempo
Desisti do penteado para
não desistir do vento

Desisti da paixão para
não desistir do amor
Desisti da dor para
desistir da dependência

Desistir é deixar existir

Persistir é desistir do presente
Desistir é persistir no presente

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sushi Nu e Cru


Arte de Chef Mark


Branca como Sushi
Eu sou verdade nua e crua
Não cozida ao Sol

Posso ser indigesta
Mas como diz o oriental:
não faz mal ao coração


Inspirado em uma frase de uma amiga
que não aceita ser cozinhada por homens.
"Nada de mentiras. Quero tudo preto no branco!"

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Verso Quente

Arte de: Eliana Guedes Mussnich.


Nada é menos sedutor que
Aquele verão de dezembro
No verão, o quente vem de fora
No inverno, calor vem de dentro.

Falo da Humanidade

Arte de: Audrey Kawasaki.

Você tem que estar no topo,
topo da mediocridade
será a curva de Gauss
falo da humanidade?

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Samsara


Arte por Audrey Kawasaki

O susto dói mais que o crônico
Crônico dói mais que a morte
Agora, morrer é sorte
Se não houvesse a despedida
Para um eu morrer
E outro eu nascer
À cada instante de vida

Se for verão e depois inverno
Se houver parte e contraparte
A vida será arte
Se a dor se tornar beleza
Se sofrer for agora poema
Não haverá dilema
Eu quero viver

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Eu Sol Mar Ília


Arte por: Audrey Kawasaki

Eu sou meu Sol enfim
Minha Ilha é do Mar
Meu Mar é de mim.
Você também é Ilha
Não quer se tornar
Península de Marília?

terça-feira, 11 de maio de 2010

Cama de Pregos


Arte por: Audrey Kawasaki


Para eu própria me emprestar companhia quando meu marido viaja,
e o meu colchão de molas torna-se uma "cama de pregos".


Há tempo que não me sinto assim
a ponto de sono me tirar o sono
a margem de nem lembrar a vez última
da dor ser aquela dúvida tão certa

Cada mola do meu sono substituída
por um prego pontiagudo de ferida
Não posso mais pular na cama
a carne é perfurada sem adormecer

Os olhos lacrimejantes
esperam o pouso dos cílios
que não mais acompanham,
no horizonte, o por do sol

À noite, não vejo sombra
Já sou toda sombra
toda fenda, toda angústia
Angústia de perceber

Não adianta contar ovelhas
na obra de Nietzche
Matar Deus é mais fácil
do que matar a insônia

A causa não é
um vazio em mim
O vazio deitado
ao lado, me acorda

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Trechos de mim - parte 1



Não é indiferente,
Tua vida não será mais uma,
Serão várias que formará uma única.
Não será formada de esperança de possibilidades,
Mas de tantas possibilidades que não precisarão de esperanças,
Você não morrerá velho, cansado,
Morrerá do amadurecimento de recém-nascer,
Encontro que o confronta contra o espelho,
E o impede de existir sem saber quem é.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Con(verso) Mudo


Para o amor da minha vida


Con(versar) olhando você é sempre poesia,
Em seu globo ocular vejo meu mundo,
Nas suas lágrimas mergulho no oceano profundo,
que é a minha alma expressa no brilho da íris,
Não deixe suas pálpebras pousarem
do vôo livre de me reencontrar,
Seus cílios sem máscara encobrem
a imagem do meu espelho,
reflexo irreal do real,
verdade romântica que me permite amar.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Dúvida

O Terapeuta, de René Magritte. Leia a interpretação aqui.




Não sou ateia,
sou agnóstica.
Não sou cientista,
que busca uma resposta pra tudo,
sou poeta,
que acolhe o incerto.


Não se tem como
dar respostas para eternas dúvidas,
às vezes, buscar a verdade é mentir.
Mas, não se engane,
ter incertezas não é estar confuso,
perdido, equivocado.


Não desconfio da dúvida,
Ela é minha maior certeza,
minha maior beleza,
o que me faz mudar,
não ser sempre a mesma,

ser mais eu própria.

O ambíguo,
não tem um único sentido,

tem várias possibilidades.
Viver com dúvida é

viver mais livre,
sem limites da certeza.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Distr(ação)

Não sei onde estou,
Enxergo apenas o piscar dos olhos,
Meu ouvido escuta silêncio
no Centro de Porto Alegre,
Há uma certeza:
o resto é uma imagem holográfica,
os carros não atropelam,
as buzinas não existem.
Sua mão segura meu ombro
para o real não me tornar irreal.
Mas, no meio do caos,
consigo pensar com calma
que há perfume de chocolate nos cabelos,
Minha distr(ação) atenta para os detalhes.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Começo

O presente já virou passado,
o apego a fotos e lembranças
não deixa saudade
tudo é eterno começo,
primeiros passos,
primeiros poemas,
primeiros amores.
O sofrimento do fim,
deixa de existir,
pois, depois do começo,
só há re(começo),
o novo, o princípio
o que ainda é vida,
o que deve me ocupar.
Remoer é morrer vivendo.

domingo, 1 de março de 2009

Sensibilidade

Foto de Germano Schuur.


O sensível,
é um músico talentoso,

escuta um leve suspiro,

aprecia o som da batida do coração.

O indiferente,

é surdo,

precisa de sons muito claros,
para distingui-los, aprecia-los.


Com indiferentes,
se fala aos gritos,

a beleza do suave se perde,
a fala se torna restrita.

Cansaço, desgaste,
a graça da palavra emudece.
É fácil enxergar o preto no branco,
difícil é ver os detalhes do por-do-sol.

Amo sentir,

Amo a sabedoria
de quem usa a sensibilidade.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Sonho

Pintura de Salvador Dali.




Eu voo sem bater asas,

Caminho sem tocar os pés no chão,

Olho as paisagens com as pálpebras cerradas,

Toco piano sem mexer a mão.


Eu me desequilibro sem mover meu corpo,

Faço tudo sem fazer nada,

Encho um balão com um só sopro,

faço um poema sem escrever palavras.


Agora, o tempo obedece

meu relógio atemporal,

os segundos seguem a minha alma,

o fantástico, o surreal.


Eu sonho com liberdade,

dormindo em uma gaiola prateada,

desejo roubar um beijo

mas já estou presa apesar de não fazer nada.


Meu sonho inesperado,

logo perde o significado,

vivo minhas surpresas,

para que a vida tenha beleza.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Surpresa

As surpresas incansavelmente se repetem,
novos imprevistos surgem antes de serem cogitados,
só há atos impensados,
não há descanso entre o presente e o futuro,
os sobressaltos me assaltam no escuro.

Tenho calma
porque não há cronologia na alma,
tudo é um começo,
não espero, não planejo.
Se pre(ocupar) com o impensável
é se iludir.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Perfeccionismo

Medo de ser,
Medo de não ser o que espero,
Medo de não ser sempre igual,
sempre perfeita como quero.
Medo de mudar, medo de ar(riscar),
Medo de criar, de re(começar),
Medo de me encontrar de novo,
Medo do novo, medo de desacomodar.
Medo de estar mal,
para depois estar bem.
Medo do que eu imagino,
ser muito aquém.

Meu perfeccionismo me amedrontava,
dava medo ruim, paralisante,
que não me alertava
dos reais perigos da vida.
Ele não deixava eu conhecer o desconhecido,
me impedia de viver o não vivido.

É dificil aceitar,
que o perfeito possível
é o imperfeito.
Que eu sou mais feliz,
sem ter tanta (espera)nça.
Que eu era mais sábia,
quando era criança.
Que o futuro está distante
do meu controle,
e que o passado
já não mais existe.
Que estou feliz,
mas vou estar triste.
Que nem tudo rima,
nem tudo combina
Tampouco quero
perfeição divina.

O Perfeccionista,
nunca se contenta,
Não vive a vida,
Só a aguenta,
Mas agora,
eu serei sempre,
humanamente,
completa e perfeita.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Vazio

Person at the window, de Salvador Dali

Nada se sente,
muito menos amor,
nada se espera,
nada motiva,
porque não se sente,
nada indica
o que se quer,
não se sabe quem é,
nada indentifica,
não há sentido,
o tempo não passa,
os outros mudam,
mas não se reage,
se está parado,
se está alheio
do resto, do mundo.

Alegria é sair do vazio,
sentir tristeza,
saudade,
qualquer sentimento.
Acaba o tormento,
Sentir é estar vivo.

Quem sente é ente.
Não imita o passado
acolhe o presente.

"Prepara-se a repetição do passado para ter a ilusão de que o tempo não passou." O Médico, de Rubem Alves.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sala de esperas

Arte de Eli Guedes - entreosdedos.blogspot.com

Espero me ligarem,
Espero não antecipar a frustração,
Espero não ficar tão deprimida,
Espero não ser perfeccionista,
Espero festas gigantescas,
Espero confiar em mim,
Espero flores,
Espero que meus textos me acalmem,
Espero que eu não me pre(ocupe) tanto,
Espero não amar de menos,
Espero não amar de mais,
Espero luz de velas,
Espero me sentir realizada profissionalmente,
Espero não depender financeiramente dos meus pais,
Espero não depender de ninguém,
Espero que ou tudo de certo ou tudo de errado,
que nada seja relativo e que tudo seja fácil de decidir.
Espero não ficar totalmente sozinha,
Espero que o amor seja para sempre.
Mas, acima de tudo,
Espero não esperar.

Falam tanto que a esperança é a última que morre.
Eu desejo que ela seja a primeira a ir embora.
Quem espera algo, acaba esperando para ser feliz.

Muito tempo na minha vida,
eu estive em uma sala de espera,
esperando que um médico resolvesse
todos os meus problemas.

Na sala de esperas,
lia sobre revistas de fofocas,
sabia mais sobre a vida dos outros,
do que sobre quem eu sou.

Eu era paciente,
passivelmente,
esperava minha vida acontecer:
negava minhas responsabilidades.

Agora, não espero mais,
cuido de eu própria,
sou minha médica preferida,
que sempre me acompanha.

Dedico esse texto a Dra. Cinthya Verri
que me ajuda a eu ser minha própria médica
e a todos que lutam para serem médicos de si próprios e de outros.