terça-feira, 20 de julho de 2010
Felicidade
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Meu Presente é Desistir
Desisti de tudo para
não desistir de mim
Desisti de ler para
não desistir de escrever
Desisti do fracasso para
não desistir da vitória
Desisti do espaço para
não desistir do tempo
Desisti do penteado para
não desistir do vento
Desisti da paixão para
não desistir do amor
Desisti da dor para
desistir da dependência
Desistir é deixar existir
Persistir é desistir do presente
Desistir é persistir no presente
terça-feira, 29 de junho de 2010
Sushi Nu e Cru
Branca como Sushi
Eu sou verdade nua e crua
Não cozida ao Sol
Posso ser indigesta
Mas como diz o oriental:
não faz mal ao coração
que não aceita ser cozinhada por homens.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Verso Quente
Falo da Humanidade
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Samsara

quinta-feira, 13 de maio de 2010
Eu Sol Mar Ília
terça-feira, 11 de maio de 2010
Cama de Pregos

Arte por: Audrey Kawasaki
Para eu própria me emprestar companhia quando meu marido viaja,
e o meu colchão de molas torna-se uma "cama de pregos".
Há tempo que não me sinto assim
a ponto de sono me tirar o sono
a margem de nem lembrar a vez última
da dor ser aquela dúvida tão certa
Cada mola do meu sono substituída
por um prego pontiagudo de ferida
Não posso mais pular na cama
a carne é perfurada sem adormecer
Os olhos lacrimejantes
esperam o pouso dos cílios
que não mais acompanham,
no horizonte, o por do sol
À noite, não vejo sombra
Já sou toda sombra
toda fenda, toda angústia
Angústia de perceber
Não adianta contar ovelhas
na obra de Nietzche
Matar Deus é mais fácil
do que matar a insônia
A causa não é
um vazio em mim
O vazio deitado
ao lado, me acorda
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Trechos de mim - parte 1
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Con(verso) Mudo
Con(versar) olhando você é sempre poesia,
Em seu globo ocular vejo meu mundo,
Nas suas lágrimas mergulho no oceano profundo,
que é a minha alma expressa no brilho da íris,
Não deixe suas pálpebras pousarem
do vôo livre de me reencontrar,
Seus cílios sem máscara encobrem
a imagem do meu espelho,
reflexo irreal do real,
verdade romântica que me permite amar.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Dúvida
O Terapeuta, de René Magritte. Leia a interpretação aqui.sou agnóstica.
que busca uma resposta pra tudo,
sou poeta,
que acolhe o incerto.
dar respostas para eternas dúvidas,
às vezes, buscar a verdade é mentir.
perdido, equivocado.
Ela é minha maior certeza,
minha maior beleza,
o que me faz mudar,
não ser sempre a mesma,
não tem um único sentido,
Viver com dúvida é
quarta-feira, 4 de março de 2009
Distr(ação)
Enxergo apenas o piscar dos olhos,
Meu ouvido escuta silêncio
no Centro de Porto Alegre,
Há uma certeza:
o resto é uma imagem holográfica,
os carros não atropelam,
as buzinas não existem.
Sua mão segura meu ombro
para o real não me tornar irreal.
Mas, no meio do caos,
consigo pensar com calma
que há perfume de chocolate nos cabelos,
Minha distr(ação) atenta para os detalhes.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Começo
o apego a fotos e lembranças
não deixa saudade
tudo é eterno começo,
primeiros passos,
primeiros poemas,
primeiros amores.
O sofrimento do fim,
deixa de existir,
pois, depois do começo,
só há re(começo),
o novo, o princípio
o que ainda é vida,
o que deve me ocupar.
Remoer é morrer vivendo.
domingo, 1 de março de 2009
Sensibilidade
O sensível,
é um músico talentoso,
escuta um leve suspiro,
aprecia o som da batida do coração.
O indiferente,
é surdo,
precisa de sons muito claros,
para distingui-los, aprecia-los.
Com indiferentes,
se fala aos gritos,
a beleza do suave se perde,
a fala se torna restrita.
Cansaço, desgaste,
a graça da palavra emudece.
É fácil enxergar o preto no branco,
difícil é ver os detalhes do por-do-sol.
Amo sentir,
Amo a sabedoria
de quem usa a sensibilidade.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Sonho
Eu voo sem bater asas,
Caminho sem tocar os pés no chão,
Olho as paisagens com as pálpebras cerradas,
Toco piano sem mexer a mão.
Eu me desequilibro sem mover meu corpo,
Faço tudo sem fazer nada,
Encho um balão com um só sopro,
faço um poema sem escrever palavras.
Agora, o tempo obedece
meu relógio atemporal,
os segundos seguem a minha alma,
o fantástico, o surreal.
Eu sonho com liberdade,
dormindo em uma gaiola prateada,
desejo roubar um beijo
mas já estou presa apesar de não fazer nada.
Meu sonho inesperado,
logo perde o significado,
vivo minhas surpresas,
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Surpresa
novos imprevistos surgem antes de serem cogitados,
só há atos impensados,
não há descanso entre o presente e o futuro,
os sobressaltos me assaltam no escuro.
Tenho calma
porque não há cronologia na alma,
tudo é um começo,
não espero, não planejo.
Se pre(ocupar) com o impensável
é se iludir.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Perfeccionismo
Medo de não ser o que espero,
Medo de não ser sempre igual,
sempre perfeita como quero.
Medo de mudar, medo de ar(riscar),
Medo de criar, de re(começar),
Medo de me encontrar de novo,
Medo do novo, medo de desacomodar.
Medo de estar mal,
para depois estar bem.
Medo do que eu imagino,
ser muito aquém.
Meu perfeccionismo me amedrontava,
dava medo ruim, paralisante,
que não me alertava
dos reais perigos da vida.
Ele não deixava eu conhecer o desconhecido,
me impedia de viver o não vivido.
É dificil aceitar,
que o perfeito possível
é o imperfeito.
Que eu sou mais feliz,
sem ter tanta (espera)nça.
Que eu era mais sábia,
quando era criança.
Que o futuro está distante
do meu controle,
e que o passado
já não mais existe.
Que estou feliz,
mas vou estar triste.
Que nem tudo rima,
nem tudo combina
Tampouco quero
perfeição divina.
O Perfeccionista,
nunca se contenta,
Não vive a vida,
Só a aguenta,
Mas agora,
eu serei sempre,
humanamente,
completa e perfeita.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Vazio
Person at the window, de Salvador Dali
Nada se sente,
muito menos amor,
nada se espera,
nada motiva,
porque não se sente,
nada indica
o que se quer,
não se sabe quem é,
nada indentifica,
não há sentido,
o tempo não passa,
os outros mudam,
mas não se reage,
se está parado,
se está alheio
do resto, do mundo.
Alegria é sair do vazio,
sentir tristeza,
saudade,
qualquer sentimento.
Acaba o tormento,
Sentir é estar vivo.
Quem sente é ente.
Não imita o passado
acolhe o presente.
"Prepara-se a repetição do passado para ter a ilusão de que o tempo não passou." O Médico, de Rubem Alves.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Sala de esperas
Arte de Eli Guedes - entreosdedos.blogspot.comEspero não antecipar a frustração,
Espero não ficar tão deprimida,
Espero não ser perfeccionista,
Espero festas gigantescas,
Espero confiar em mim,
Espero flores,
Espero que meus textos me acalmem,
Espero que eu não me pre(ocupe) tanto,
Espero não amar de menos,
Espero não amar de mais,
Espero luz de velas,
Espero me sentir realizada profissionalmente,
Espero não depender financeiramente dos meus pais,
Espero não depender de ninguém,
Espero que ou tudo de certo ou tudo de errado,
que nada seja relativo e que tudo seja fácil de decidir.
Espero não ficar totalmente sozinha,
Espero que o amor seja para sempre.
Mas, acima de tudo,
Espero não esperar.
Falam tanto que a esperança é a última que morre.
Eu desejo que ela seja a primeira a ir embora.
Quem espera algo, acaba esperando para ser feliz.
Muito tempo na minha vida,
eu estive em uma sala de espera,
esperando que um médico resolvesse
todos os meus problemas.
Na sala de esperas,
lia sobre revistas de fofocas,
sabia mais sobre a vida dos outros,
do que sobre quem eu sou.
Eu era paciente,
passivelmente,
esperava minha vida acontecer:
negava minhas responsabilidades.
Agora, não espero mais,
cuido de eu própria,
sou minha médica preferida,
que sempre me acompanha.

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